Blog de mauro.assis


20/08/2011


Obituário

Venho por meio desta comunicar o passamento deste blog, aos vinte de dias de agosto do Ano da Graça de dois mil e onze, às 09:40 (GMT+3) , com 4,5 anos de vida. Muitas alegrias me deu, seguindo-me por esse Mundão de Meu Deus, mas agora ele passa o bastão para o naEstrada.com, http://mauro-assis.blogspot.com/.

Até!

 

Escrito por mauro.assis às 09h47
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08/12/2010


De Hyderabad a São José dos Campos

Amanhã 9:30, 2 da matina de quinta no Brasil, começaremos nossa jornada rumo a esse Brasilzão de meu deus. Como chegaremos às 2 da matina de sábado, serão exatas 48h de viagem. Meu recorde anterior eram 34, de busão BH/Recife, num Carnaval de já quase duas décadas atrás.

 

Queria postar mais muitas fotos, mas esse $%@#& do UOL Blog agora diz que meu espaço acabou. Eu já deveria ter trocado de provedor há muito tempo, é muito ruim o editor, a estrutura é pobre, não tem integração nenhuma com outras ferramentas, enfim, o UOL Blog é uma merda. Pois agora ferrou, tenho que arrumar outro pouso para minhas maltraçadas. Subvertendo Francisco: UOL, essa é a saideira, nenhuma saudade, parto com a certeza de que já vou é tarde... sabadão eu arrumo outro barraco e me arrancho, aviso vcs em seguida.

 

Da Índia levo muito. Conheci pessoas especiais, trabalhei com elas, que me escutaram com paciência e expuseram suas idéias com uma simplicidade desconcertante. Espero merecer a confiança delas para continuarmos trabalhando juntos. Poderemos fazer muito.

 

Por aqui também entendi o quanto sou um "jacu da roça", como se diz nas Minas. As referências de onde vim me serviram muito bem pelos lugares por onde andei antes de aterrisar aqui. Contudo, ao imergir nessa imensidão de gente, vi o quanto a minha "visão de mundo" (em si já uma coisa bem pretensiosa, como se isso pudesse existir prá um sujeito que nem na Ásia tinha estado) é completamente inútil para entender um pouquinho ao menos desse país. Há que se recomeçar, agora sob as bênçãos de Ganesha e Shiva...

 

Namastê!

Escrito por mauro.assis às 12h41
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De Ganeshas e Tuktuks

Tem dois assuntos sobre os quais é muito difícil falar: o trânsito e as crenças indianas. Ensaiei postar algumas coisas antes, tentei fotografar situações de trânsito inusitadas, mas o fato é que simplesmente não consigo me empolgar com o resultado obtido, porque faltam habilidades de escrita e de fotógrafo. Por outro lado, deixar o blog sem nada sobre esses assuntos não seria legal, porque são aspectos que chamam demais a atenção de quem passa por aqui. Então, lá vai, e tudo junto no mesmo post.

Só prá dar uma idéia sobre como é esse troço de deus por aqui, só a religião hindu tem 300... MIL deuses! Basicamente cada elemento da natureza, cada sentimento, cada tipo de relação humana tem o seu deus correspondente. A importância varia segundo a importância do elemento associado para a sociedade, ex: procurei até o deus do rinoceronte pro Miguel que é um colecionador desse animal (só podia ser o Miguelito, não?). Os caras dizem: até tem, mas a gente não tem na loja porque ninguém compra. Só achei uma loja que tinha esculturas de rinos. Isso porque a rigor o rinoceronte, apesar de sua imponência e exotismo,   não serve prá absolutamente nada, não se deixa domesticar e até antes da pólvora aparecer por cá nem jeito de matar tinha. Já imagem de elefante tem prá todo lado, assim como de vacas, bichos de grande valia (eles não comem vaca, mas usam todos os subprodutos, bebendo até o xixi).

Já o trânsito, só vendo prá  crer. Consultem Mumbai no Google Maps: simplesmente não rola, não tá mapeado. Uma cidade de 17.000.000 de habitantes que ninguém conhece toda, não existem guias impressos, mapas,   nada. A mesma coisa Hyderabad, que tem “apenas” 13.000.000 de almas. Então como se vai de um lugar pro outro?

Há várias estratégias: se for perto do hotel, peço a um funcionário que fica em frente deste com a função de gerenciar o trânsito, ele para o transporte, vê se o cara conhece o destino, negocia e embarcamos. Se for visitar uma empresa longe, aí ponho o motorista no telefone com o sujeito que está me esperando. Eles conversam até achar um ponto de referência que ambos conheçam perto do destino, negocio e seguimos. Qdo chega na referência, ou o sujeito está lá esperando prá ensinar como acaba-se de chegar ou usa-se de algum motorista que rode por ali para ensinar. A vantagem é que a turma é muito solícita, explica na maior paciência. Claro que essa prosa toda rola em híndi, telugo ou whatever but English, então dá um certo frio na barriga: ficar de noite, no meio do caos, sem idéia de prá que lado fica o destino ou a origem, guiado por um sujeito com quem no máximo vc consegue combinar um preço. Uma noite dessas pensei: uma aventura legal seria descer aqui e achar o hotel por minha conta... numa outra oportunidade eu faço, só prá dar assunto no blog.

Claro que, como toda estrutura social, há deuses e deuses. A trindade, sobre a qual já falei, é a mais importante: Brahma, o Início, Vishnu, a Manutenção e Shiva, o Fim. Shiva é, claro, associado à morte, mas esta é vista como evento para um recomeço (os caras acreditam em múltiplas encarnações), então não é uma coisa ruim. Pode-se festejar a morte, e isso acontece. Uma presença muito forte na cultura local é a dualidade das coisas, tudo tem o outro lado, nada é puramente bom ou ruim.

Tirando esses três, o deus mais popular pelo menos por onde andei é Ganesh, ou Ganesha (é que eles pronunciam o “sh” como se tivesse um “a” pequenininho depois, algo entre “sh” e “sha”). Até eu já achava ele legal desde criança, por causa da aparência inusitada, espiai:

Como cético, sempre acreditei que o homem faz deus à sua imagem e semelhança. Ganesha é a exceção que confirma a regra, né? Além do mais ele não me engana, aquela barriguinha ali só pode ser chopp...

Uma outra instituição indiana é o Atto, vejai:

Veículo de três rodas, três marchas, movido a diesel, gasolina, gás, álcool e o que mais a turma conseguir queimar, tem um guidon em vez de volante. É um meio termo de carro e moto, como Ganesha, um híbrido. A turma chama também de Tuktuk. Até tem taxímetro, mas os caras não ligam, então é na base da negociação. Qdo o cara do hotel negocia paga-se 20 rúpias (R$ 0,80) por uma corrida pequena. Na volta, como sou eu com a minha cara de gringo a prosa começa em 150 rúpias e eu acabo fechando em 50. D Bete fecha em 30.

A história do Ganesha, claro, não poderia deixar de ser inusitada. Filho de Shiva e Parvati, que é a reencarnação de Sáti, a primeira mulher de Shiva, não sendo, portanto, diferente desta (?!?).

Há controvérsias, muitas aliás, sobre como uma cabeça de elefante foi parar em seus ombros. A mais comum diz que Parvati engravidou de Shiva, que partiu para uma longa viagem. Ao voltar, deu de cara com um homem em sua casa, e confundindo-o com Big Richard, cortou-lhe a cabeça de um só golpe. Parvati, com  toda sua imponência divina, vendo o acontecido, deu-lhe logo um pedala:

- Mas ó energúmeno, não vês que o agora descabeçado é teu próprio filho?

Shiva, então, partiu em busca da cabeça perdida, mas ela caiu tão longe, mas tão longe, que ele não a achou prá por de volta. Temendo a ira de Parvati (mulé braba que só a moléstia!) pela falta de solução para o problema e vendo um elefante que pastava tranquilamente por ali...

Outras histórias muito legais sobre a “elefântica” cabeça de Ganesha em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ganesha#Como_ele_obteve_sua_cabe.C3.A7a_de_elefante.3F

A “Shiva e Gajasura ” é sensacional.

Ganesha recebe os convidados na entrada da cerimônia principal do casamento em Mumbai.

Seguindo o conceito indiano da dualidade, os Tuktuks são ao mesmo tempo solução e problema para o trânsito. Na medida em que cabem em qualquer greta avançam sempre, nada os detém. Vão mais rápido do que qualquer carro local apesar de não passarem, creio, dos 50 por hora.

Também seguem uma regra de trânsito própria: para eles, não existem qualquer regra de trânsito. Se o guarda manda parar, os carros param, eles continuam. Se, por exemplo, ele está em uma avenida como a Paulista indo num sentido e tem que deixar um passageiro no passeio da outra mão, ele simplesmente acha uma brecha no canteiro, passa pro lado de lá e segue pela contramão até o ponto onde deve deixar o cliente. Para alertar sobre a manobra, simplesmente passa a seguir com a mão na buzina.

Em porta de cinema, shopping etc, eles aparecem em nuvem, às centenas. Aí, como o seu guarda lida com eles? Usando um “pau de espantar tuktuk”, porrete com “uns” um metro e meio de comprimento com o qual ele fartamente distribui bordoadas nos carrinhos. É a única ordem que eles atendem, além claro da clássica mão estendida como solicitação de seus serviços.

 

Tuktuk serve também para divulgar mensagem de utilidade pública. No caso: “guspe” espalha tuberculose; não “guspa”.

O Ganesha também tem várias responsabilidades na cultura hindu (indiano é o cabra que nasce na Índia, hindu é o crente na religião de mesmo nome). Antes de se iniciar qualquer atividade mais ou menos importante, pede-se a “bença” ao dito. Ele é visto na entrada das empresas, porque tem a ver com administração também, e é o destruidor da vaidade, egoísmo e orgulho.

Fiquei pensando sobre o motivo de, ocasionalmente, Ganesha e outros como Shiva serem representados com múltiplos braços e cabeças (vi um Ganesha com sete cabeças e dez braços). Inferi (ui!) que podia ser um troço tipo desenho do Geraldão (saudoso Glauco...), indicando movimento, atividade (um monte de pernas diz que o Geraldão está correndo, por exemplo). Ou então que o deus pode ter mais de um braço, mesmo, já que Shiva por exemplo aparece mais com três pares do que com um. Perguntei ao Ab e ele me esclareceu que nem uma coisa nem outra: na verdade a representação com mais de um braço é indicação de poder, quer dizer, não é que o hindu ache que o deus tem mais de dois braços, mas é uma forma do artista mostrar que o deus é poderoso. Uma razão simplória prá um mistério que me acompanhava desde a adolescência...

Ganesha dança.

O "motor de arranque" é essa alavanca aí no chão do tuktuk.

"Buzine, por favor"... ?!?

Esta mensagem é vista atrás de quase todos caminhões e caminhonetes, e também outros veículos. Achei que a idéia fosse irônica, tipo: “isso mêss, viado, buzina na minha orêia!”, mas nénão. A idéia é: se for fazer alguma manobra que tem a ver comigo, tipo me ultrapassar, mudar de faixa, ou mesmo me dar uma fechada para fazer uma conversão, buzine prá eu ficar sabendo”. Com isso elimina-se a necessidade de retrovisor, sinalização, seta... vai fazer merda? Buzine e vá em frente.

Gostaram do Ganesha e do Tuktuk? Não são umas gracinhas?

Prá terminar: vc compraria alguma coisa dessa camelô?

Na Índia nada é o que parece, nem o Tinhoso... dualidade, bicho, dualidade...

Escrito por mauro.assis às 06h07
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Molusco, esse desconhecido

Primeira vez que eu viajo prá outro país nos últimos anos e ninguém me pergunta do Lulão...

Escrito por mauro.assis às 03h32
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Cana dura (continuação de um post abaixo)

De volta ao prédio da administração, após aguardarmos mais uma meia hora, veio até nós o tal chefe da cana. Político mais típico, simpaticão, altivo, levou-nos a uma sala de reuniões. Lá o Srinivas começou a falar sobre o projeto da GrayLogic, e o cara nem dando muita bola, assinando documentos, fazendo algumas intervenções pontuais. De repente, engatou uma prosa   mais ruim, “vocês não podem pensar nesse projeto prá ganhar grana, mas isso pode ser um laboratório para vcs de maneira a provar um conceito que pode ser vendido depois em qualquer lugar do país ou do mundo, blá, blá, blá...” e eu pensando: viajar mais de 30.000 km ida e volta prá ouvir essa prosinha mineirinha, rasteirinha ... zzzzzzzz.

Como se não bastasse, no meio da conversa ele resolve perguntar sobre o sistema prisional brasileiro. O Rayalu imediatamente delega a tarefa a mim, que passo a discorrer com toda a propriedade sobre u assunto. Blá, blá, blá... e o sujeito de cabeça baixa, despachando processos.

No fim da conversa, o Rayalu resolve discorrer sobre o projeto dele de produção de sementes, que é a sua paixão. Pois não é que o sujeito se animou todo?   Aí a conversa engatou, porque ele tem como meta fazer o sistema prisional gerar a receita para se sustentar (daí o tal call- jail-center), e ele tem acesso a terras do estado. Já está inclusive produzindo alguma fruticultura, e tem um pequeno plantio de teca, com 10 anos de idade. Engatei então a minha apresentação sobre as maravilhas da agricultura brasileira nos últimos vinte anos, ele já ligou pro Ministro da Agricultura, tentando arrumar uma conversa com ele, e a coisa fluiu. Vontamos lá ontem, falamos com mais gente, quase fui prá uma das fazendas hoje, não rolou porque são 10h de carro ida e volta, e amanhã é dia de partir.

Resumindo a ópera: eu, que fui prá prosear de TI acabei discorrendo sobre a cana dura e a agricultura do nosso salvelindo...

Escrito por mauro.assis às 03h24
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Indian English

O Ab veio me elogiar, dizendo que a minha comunicação com eles melhorou substancialmente nesses poucos dias de nossa convivência. D Isa disse a mesma coisa. Respondi concordava, mas que ainda falta um pouco prá ficar 10. E ele:

 

- Liga não, Mauro, é que nós indianos falamos inglês como se soubéssemos...

 

Grande sujeito, o Ab... já sacaneei mais uns dois aqui com a piadinha dele.

Escrito por mauro.assis às 03h00
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07/12/2010


Uma segunda-feira normal de trabalho na Índia ou... o dia em que fui prá cadeia de Hyderabad

Meu serviço consiste basicamente em participar de discussões sobre oportunidades de investimento na Índia e no Brasil. Nessas discussões, como sou o único brasileiro, normalmente meu papel é falar sobre esse nosso brasilzão, sobre como as coisas funcionam por lá. Como conheço bem meu país (e me orgulho disso) e os assuntos giram em torno de agricultura, floresta e TI e São Google taí prá provar que o saber definitivamente não ocupa lugar no espaço, tenho me saído bem. Também trouxe muito material do Brasil, pq eu já sabia que seria assim.

 

Nesse jeito de trabalhar, o Rayalu me fala qual o públio e qual o propósito da próxima reunião no dia seguinte, eu preparo o material e vou-me. Seria tudo moleza se...

 

Se os indianos, a começar do Rayalu, fossem chegados a planejar e uma vez planejado, a seguir o combinado.

 

Ele me disse que ontem precisaria do nosso material de TI, então já tá tudo prontim, relaxei, passeei, fui ao cinema assistir Hary Potter (eu, a Bete e o resto da Índia fomos ao cinema domingo de noite) e boa.

 

De manhã ele passou cá, me pegou e fomos., No trajeto ele me disse que estávamos indo com ao encontro do sujeito responsável... pelas prisões estaduais!

 

No trajeto ele foi me dizendo que  o sujeito é cliente de uma das empresas que ele tem aqui, a de TI, e eles estão informatizando a parte administrativa das prisões. A idéia era só fazer o social, Srinivas, CEO da empresa de TI, ia nos encontrar por lá. Chegamos, o prédio é uma prisão de 200 anos de idade, ainda em funcionamento, como prisão.

 

Chegamos, o camarada com quem falaríamos, Dr C. N. Gopy Natha estava ocupado, fomos encaminhados à presença do Cel. Malla que nos convidou a um tour pelas instalações da prisão.

 

Visita das mais interessantes. Um prédio antigo, aqueles com paredes bem largas, que lembram os fortes espalhados pelo litoral brasileiro. As celas são pequenas e sem janelas, mas com apenas um preso por cela. Todas as celas que vi estavam abertas, com os presos circulando pelo pátio. Tudo limpo, jardins bem cuidados. Visitamos a cozinha, panelas aquecidas a vapor, tudo limpo também.

 

Tem uma mini mesquita para os muçulmanos, que tem uma grade separando essa parte do resto já que o povo tava todo misturado, não entendi porque. Tem também um templo (com piso de mármore) para os hindus, com suas principais divindades.

 

Em outro prédio havia uma fila em frente a uma sala. Na sala, equipamento de vídeo conferência para que os presos da fila pudessem participar de audiências remotamente, sem ter que se deslocar até o tribunal. São Paulo está tentando começar com isso, mas esbarra sempre no nosso judiciário medieval. Já pensou no custo de levar um Fernandinho Beira Mar a um depoimento?

 

O Cel. Malla nos explicou que, devido à antiguidade do prédio, as acomodações não eram 100% adequadas, mas que em outros presídios mais modernos a coisa era bem melhor. Ele nos contou inclusive que em um dos presídios existia um projeto piloto de presos trabalhando como recursos de B.P.O. (Businness Process Outsourcing),  no caso serviços de telemarketing!

 

Um banco canadense já está comprando os serviços, ou seja, um cliente que ligar pro call center do banco pedindo informações sobre a sua conta pode ser atendido por um ladrão de banco em cana na Índia! Isso é que é globalização, o resto é bobagem...

 

Vi também que havia presos com roupa normal e presos de uniforme. Perguntado sobre, o Cel. explicou que os sem roupa de preso ainda aguardavam julgamento, enquanto os outros já tinham sido condenados.

 

Sobre a "clientela", ele nos disse que é principalmente de criminosos do sistema financeiro. Tem um hacker "hospedado" lá que deviou 30 milhões de dólares do governo.

 

Na saída, de repente eles conversaram um pouco em telugo e foram a uma sala já na administração. Lá nos apresentaram um preso que pelo jeito deles achei se tratar um sujeito importante. Perguntei e o Rayalu me disse que o sujeito era ex-CEO do 5o. maior grupo empresarial da Índia, o grupo Satyam (em sânscrito, Verdade), de TI. Eu me lembrava vagamente da história, que teve alguma repercussão no Brasil já que os caras tinham filial aí. Ele criou uma empresa de construção civil (Maytas, Satyam ao contrário, vejam como o sujeito é engraçadinho) e a usava para desviar dinheiro da Satyam. O cara sumiu com coisa de bilhão de deólares. Tem até na Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Satyam_scandal . O nome do cabra? Ramalinga Raju.

 

Sem dúvida, o vagabundo mais "agraduado" de quem já apertei a mão...

(continua)

Escrito por mauro.assis às 01h58
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05/12/2010


Salam Aleikum!

Pela primeira vez na vida visitei uma comunidade muçulmana. Espero que vocês possam ter ao longo dos posts abaixo ao menos um pouco de noção do que foi.

Escrito por mauro.assis às 05h39
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All Kinds Of Roses

 

                                   Yussuf Islam (a.k.a. Cat Stevens)

 

All kinds of roses,

All kinds of roses,
All kinds of roses,

Grow in my garden,

All kinds of creatures,

All kinds of creatures,

All kinds of creatures,

Run on my land,

All kinds of children,

All kinds of children
All kinds of children,

P lay in my yard,

So many feelings,

So many feelings,

Flow through my blood

All kinds of people,

All kinds of people,
All kinds of people,

Make up my life,

All kinds of faces,

All kinds of faces,
All kinds of faces,

Show me their love,

All kinds of lanterns,
All kinds of lanterns,

Light up the dark,
But there's only one God,

Only one God,

Has a place in my heart.

All kinds of roses,
All kinds of roses,

All kinds of roses,

Grow in my garden

 

Para ouvir, clique: http://www.youtube.com/watch?v=fLusQ0nAsW8

Tem também com imagens dele cantando: http://www.youtube.com/watch?v=_cbP_TwfUA0

Bem na hora em que, aqui no hotel, estou terminando de escrever estas linhas, escuto o sacerdote de alguma mesquita aqui perto chamando para a prece das 13:00...

 

 

 

 

Escrito por mauro.assis às 05h27
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Mesquita

Depois do Charminar, Ab nos convidou a visitar uma mesquita "de verdade", quer dizer, onde se realizam serviços religiosos. No Charminar isso não acontece mais, é hoje um monumento aberto à visitação pública.

Para que a nossa entrada fosse permitida, tivemos que comprar uma cobertura para a cabeça, não sei qual o nome que os muçulmanos dão, mas é como o quipá judeu.

 

Túmulos de reis e príncipes aqui enterrados. Os muçulmanos, ao contrário dos hindús e povos de outras religiões da Índia, enterram os seus mortos em vez de cremá-los. Em duas dessas tumbas estão enterrados dois príncipes que deram nome à cidade. É que são duas cidades gêmeas, Hyderabad e Seconderabad, separadas por um lago, e os nomes dos príncipes eram Hyde algo e Second algo. Bad quer dizer lugar.

 

Aqui já é a parte interna da mesquita. Só entra homem, as mulheres tem que esperar do lado de fora. Um tapete imenso reveste o chão do salão. Cada desenho desse indica uma posição de reza, onde um muçulmano se ajoelha na direção correta de Meca. Na prece das 13h da sexta, dia mais concorrido, 10.000 homens enchem o salão e a praça externa contígua.

Em ouro, inscrições na língua urdú.

 

Nomes e horários de cada uma das seis preces diárias.

 

Criança cochila tranquilamente sobre o túmulo de seus nobres antepassados.

Escrito por mauro.assis às 04h58
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Charminar

Ontem, sábado,   fomos visitar o Charminar, talvez o monumento mais importante de Hyderabad. Mais sobre no http://en.wikipedia.org/wiki/Charminar .

O nome quer dizer Mesquita dos Quatro Minaretes. Foi contruido em 1521. O Taj Mahal também tem quatro minaretes, só que fora da estrutura principal, espiaí:

Espécie de portão de entrada do que era a cidade quando nasceu. Hyderabad foi criada pelos muçulmanos, cerca de 500 anos atrás. Para os padrões indianos, outro dia mêss.

 

 

Vista de dentro do Charminar.

 

Rua do comércio em bairro árabe vazia sábado de manhã???? É que ainda são menos de 10:00, e a maioria das lojas abrem depois das 11.

 

 

Vista dos minaretes.

 

 

 

Tão vendo como as ruas ainda estão vazias? Nosso guia Abdid (e não Abdib, como eu julgava) sugere enfaticamente que a gente se mande antes das 11, porque sábado vai juntar a turma das compras com a que vem rezar, aí...

 

Escrito por mauro.assis às 03h50
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04/12/2010


TV

A TV cá do hotel pega uns 200 canais. A HBO e a Warner são melhores que no Brasil, filmes mais recentes e temporadas das séries mais atuais. Nada é dublado, qdo muito tem legenda em inglès. Agora, os caras censuram palavrões, então colocam um "piiii" no que o sujeito diz e *** na legenda. E também fazem alguns truques:

 

A mulher no filme diz:

- Bich!

E a legenda:

- Wich!

 

Divertido...

Escrito por mauro.assis às 11h24
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03/12/2010


Birla Mandir

File:BirlaMandir1.jpg

 

Visitamos ontem á noite esse templo, Birla Mandir, aqui em Hyderabad. Umas das construções mais bonitas que já vi, todo em mármore, com esculturas sem fim. É dedicado ao deus Vishnu, uma das três divindades da "Santíssima Trindade" da religião hindu (as outras são Brahma e Shiva). Não pode-se tirar fotos por lá. A foto acima é da Wikipedia.

Uma coisa interessante é que ele foi construido pela Fundação Birla, do Grupo Birla, conglomerado de empresas que atua em fabricação de cimento e outras frentes Índia e mundo afora. Eles constroem muitos templos, todos com esse nome, a serem doados à população de cada cidade. É mais um aspecto da mistura religião/negócios que  Abdib estuda.

Escrito por mauro.assis às 03h48
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Babel perde .... II

Placa na chegada a Hyderabad:

O primeiro idioma abaixo do inglês é o híndi, o segundo é o telugo e o terceiro é urdú, baseado no árabe, escrito da direita para a esquerda. Essas são as línguas mais faladas pelas pessoas da cidade, de 12.000.000 de habitantes. Dá ou não dá vontade de voltar pro avião correndo?

Conversando com o Abdib, que fala, lê e escreve em hindi, telugo, inglês e italiano além de entender punjabi, ele me disse que o hindi é a quarta língua mais falada do mundo, enquanto que o telugo também não faz feio, é a 22a.

Escrito por mauro.assis às 03h13
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De cuequinhas e calçolinhas

De tanto eu amolar D Bete que ela ia ter que lavar nossas roupas de baixo na escadaria do Ganges, ela arrumou uma solução: cuecas e calcinhas descartáveis! Elas são de uma espécie de papel, que a gente usa e joga fora. Não é muito confortável, underwear de algodão é claro que é muito melhor, e acho que no meu caso o número deveria ser um acima, mas enfim...

Escrito por mauro.assis às 02h46
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